domingo, 10 de abril de 2011

Radicais fiquem longe de mim. Grata!

Não e eu não vou falar de todo radicalismo que envolve a maternidade, que cá pra nós é um saco e já encheu (ainda vou escrever sobre a maternidade real que tá rolando por aí), eu vou falar de religião, de fanatismo e o de quanto eu estou furiosa.

Eu sou uma pessoa que não faço apologia a nada do que acredito. Nunca tu vai me ver convencendo ninguém a fazer dieta porque naquela semana eu descobri as maravilhas de comer só alface e acho que o mundo todo deve fazer o mesmo. Quer coisa mais chata que quem passou a vida sendo gordinho e quando emagrece 2 kilos critica todo mundo que está acima do peso? E ex fumante que passou 35 anos da vida fumando 30 cigarros por dia, tem uma doença grave, é obrigado a parar e não pode ver ninguém fumando que vai lá se meter na vida da criatura, falando que é fácil e esquecendo as dificuldades que teve.

Como eu disse, não vou falar sobre maternidade,acho parto natural o ideal, mas já aviso, fiz cesárea com hora marcada, cabelo feito, unhas feitas e maquiada. Dá licença, o corpo é meu, as filhas são minhas e eu sei o que é melhor pra gente. Dispenso pitacos. Grata.

**

E aí a pessoa é católica. Daquelas que sabe um pouco sobre catolicismo porque estudou em colégio católico, que vai as missas deste mesmo colégio, levar a filha que estuda na mesma escola, e tem plena convicção de que não precisa estar ali pra sentir a presença de Deus. Eu acredito no meu Deus, naquele que é fruto do meu conhecimento, das minhas experiências de vida e percepções pessoais. Deu. Filha de pai ateu e de mãe que acredita em Deus, mas assim, eu nunca a vi rezando ou coisa do tipo, nem lembro da minha mãe falando sobre isso comigo. Lembro dela chocada com as barbaridades que meu pai falava sobre o assunto.

Então eu acredito em Deus e não acredito no homem, e talvez por isso eu não me sinta conectada à Deus dentro de uma Igreja, e que muita coisa do que a Igreja prega não me convence, lá eu vejo apenas um homem falando... Eu sou muito segura das minha convicções, que não vieram dos meus pais ou da escola que estudei, nem tampouco da convivência com o marido, que é muito mais religioso que eu. Vivi muitas fases, tive certezas que não, certezas que sim e hoje tenho a minha crença e me sinto completamente a vontade com ela e não falo sobre isso com as pessoas. Entendo religião como algo extremamente pessoal pra ser discutido com quem quer que seja.

E então estou eu, pensando em toda porcaria que vou deixar de comer nesta semana, a fim de entrar em um vestido de uma forma minimamente digna depois de recém cof, cof, parir, enquanto escolho as frutas menos calóricas pra comer, lá nas parte do hortifruti do supermercado Bourbon. Andressa na cadeirinha do carrinho comigo, marido escolhendo legumes, Natinha se sentindo a adulta escolhendo cebolas e eu furiosa pensando que na outra vida iria nascer rica e magra ou nada feito, quando sou abordada por uma senhora. Segue o seguinte diálogo:

- que bonitinha, quantos meses ela tem?
(sorrio)
- obrigada, ela tem seis meses.
(me viro e continuo escolhendo laranjas)
- ela é muito bonitinha, tu precisa levar ela na Igreja tal (não vou citar a Igreja, não quero gente doida me perseguindo aqui também e não sei nada sobre essa Igreja para afirmar que a louca era só louca ou era coisa da Igreja dela).
- ahhh. obrigada.
(me viro de novo e continuo minhas compras)
(a mulher chega perto demais, me sinto incomodada)
- leva ela lá na ...., para ela ser consagrada.
- hurum (com cara de pouco amigos me viro de novo puxando a Andressa pra mais perto)
(a mulher encosta na Andressa e me posiciono entre elas, mas não consigo manobrar o carrinho já que a mulher está perto demais da gente)
- e leva duas testemunhas também, leva ela lá!
(continuo tentando sair de perto, mas de forma educada. devia ter jogado o carrinho por cima da mulher!)
- pega um papel aí e anota os dias e horários, tu tem que levar ela lá!
(só quero sair dali, estou me sentindo intimidada, então falo muito educadamente)
- senhora, sabe o que é, eu sou de outra religião, mas muito obrigada pelo convite.
( empurro o carrinho bem firme pra sair dali)
( a mulher vem pra mais perto, fica com o rosto muito próximo do meu e com a maior cara de raiva)
- MAS É PRO BEM DELA QUE EU TO TE FALANDO!
- EU ACREDITO SENHORA, MAS SOMOS DE OUTRA RELIGIÃO, COM LICENÇA!
(empurrei o carrinho com força e ela foi saindo)
- TU VAI SE ARREPENDER MUITO! VAI SIM SE ARREPENDER. TU AINDA VAI CHORAR MUITO E SE ARREPENDER. VAI CHORAR MUITO!

Aí eu já estava tremendo e só queria sair de perto daquela louca. O marido percebe que algo está errado. de longe ele assistiu ao final da conversa e teve a impressão que a mulher estava tentando pegar a Andressa, veio correndo e disse que eu não ia me arrepender nada, que ela saísse de perto de nós.

A mulher começa a gritar muito mais alto, se fazendo de vítima, que ele não falasse com ela daquele jeito, junto um bocado de gente por perto, ela continua gritando, que não tinha medo dele, que isso e aquilo...

No meio dessa confussão a Nati gritou por mim, a coitadinha branca feito um papel, só agarrei ela e a Andressa e sai atrás de um segurança, enquanto a mulher berrava horrores pro marido como se ela fosse a vítima.

**

Eu tremia tanto que fiquei com o pescoço duro.

Marido não entendia porque tanta tremedeira, me questionou sobre eu ter ficado preocupada com as "pragas" da mulher, e claro que não é isso. Não acredito nisso de jeito nenhum. Mas a gente se dá conta de como as coisas podem acontecer sim com a gente. De como ficamos a mercê das situações e nem sempre conseguimos sair delas como gostaríamos. Que o mundo está cheio de gente louca e nem sempre vamos conseguir proteger nossos filhos como gostaríamos. Em como eu me senti incomodada muito antes de ela ser mais agressiva e pra não fazer barraco não fui mal educada com ela de uma forma que fizesse ela desistir de mim.

E se a mulher fosse mais louca do que era? E se tivesse uma faca? Nos agredisse? Tentasse me arrancar a Andressa?

Isso tudo nessa semana, que aconteceu  aquele absurdo no Rio com aquelas crianças. Vítimas de um louco!



* Não procuramos saber se a segurança achou a mulher no supermercado, eu só queria sair de lá.

10 comentários:

Tathyana disse...

Nossa amiga que pânico nessas horas a gente não sabe muito bem o que fazer. Tem muita gente precisando de tratamento, eu fujo dessas pessoas. Se cuida, bjão.

Lu disse...

Se todos tivessem consciência que suas verdades não são absolutas, com certeza você não teria passado por essa situação tensa, chata, horrível.

Não dá pra ter sangue frio, não dá nem pra dizer muita coisa, vc fez o certo, levou suas meninas pra longe.

Que mulher maluca! aff
Uma ótima semana!

Cê Vilanova disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cê Vilanova disse...

Nossa, que coisa chata, realmente sempre temos a impressão de que esse tipo de coisa só acontece com os outros, até acontecer algo que nos "acorde" para a realidade...
Sempre digo que uma coisa é acreditarmos que o nossa escolha é a certa, outra é acreditar que ela é a única, é um absurdo querer obrigar ou convencer outras pessoas a qualquer custo a pensar e agir como nós.
Sei que posso (e provavelmente devo)estar falando besteira, mas a cada vez que fico sabendo de relatos como esses tomo ainda mais distância da idéia de ser mãe, sempre ouço que é o sentimento mais maravilhoso qe pode existir, mas não sou otimista o suficiente para colocar uma criança neste mundo, ainda assim, admiro quem tem a coragem de assumir essa responsabilidade.
bjs e sorte!

Andrea Fregnani disse...

Eu moooorro de medo de fanáticos religiosos, até me dá arrepios só de pensar na situação que vc passou, que horror.
bjs

Rafaela disse...

Cruzes, Andréia!
Se fosse comigo nem sei o que faria nesta situação.
Beijos e boa semana!!

Wlady disse...

Andrea, há loucos por toda a parte e realmente nem sempre conseguimos nos livrar deles facilmente.
bjk

Isabela disse...

Eu tremi só de ler.
Que horror !!!
Não suporto isso também. Respeito todas as religiões, mas não me encho o saco.
Também sou flha de pai ateu e minha mãe também nunca foi de ir a igreja, apesar de católica (pq foi batizada).
Mesmo em relação as outras coisas...não suporto gente que tenta te convencer de algo pela experiência dela...
beijos

Débora disse...

Também fiquei com raiva só de ler!!!
Que tem muita gente louca nesse mundo é fato, mas quando a loucura chega perto é muito ruim mesmo!
Velha ridícula!!!

Esses dias minha irmã, que tem uma baby da mesma idade da tua, estava em uma loja e deixou a menina no carrinho com a babá na porta da loja.
Nisso chega uma senhora e começa a fotografar a bebê. A babá perguntou o que era aquilo e que ela não podia sair fotografando o filho dos outros assim, sem ao menos pedir.
E aconteceu quase a mesma coisa, porque a senhora ficou toda melindrada e saiu gritando, toda ofendida!
Olha, esse mundo está virado!

Beijos!

Tchella disse...

que medo!

nós somos evangelicos, e posso te garantir, essa mulher é louca... ngm é assim nao... mto maluca tem que fugir mesmo