quarta-feira, 23 de março de 2011

Porque todos os dias a gente precisa preparar para a vida...

Então que Natinha anda naquela fase mais difícil da vidinha dela até agora. Ela tem opinião para as coisas e eu e o pai não servimos mais de modelo para tudo. Tem sido cansativo, confesso, além do ensinar sobre as coisas da vida, dos valores, do respeito à ela e aos outros, tem a escola, e, agora no terceiro ano, ela já tem avaliações e ontem me apareceu em casa tendo aprendido sobre encontros vocálicos. Oi cadê meu bebê que estava aqui?

Então eu cheguei em casa com uma sacola de roupas para experimentar. Coisa de uma loja que sou cliente e elas já conhecem o que gosto, de vez em sempre me separam umas coisinhas e deixam no escritório para que eu possa trazer para casa e provar com calma. A pessoa aqui toda empolgada porque andava precisando de um vestido pra um evento específico e achei que tinha encontrado o bendito e com 50% de desconto! Enquanto conto pro marido vou tirando o vestido da sacola e Natinha, que já tinha me perguntado se tinha algo pra ela e se frustrado com minha resposta, mesmo antes de eu tirar o vestido inteiro da sacola me saiu com: isso é horroroso, não acredito que tu gostou dessa coisa feia!!!!! Falou de uma forma tão grosseira e aos berros que chocou a mim e ao marido.

Marido ficou bravo e disse que aquilo não era jeito de falar comigo, que não queria mais aquele tom dentro de casa e que se ela fizesse de novo ela ficaria de castigo, mandou que ela me pedisse desculpas.

Ela ficou envergonhada, foi nítido que se arrependeu. Me pediu desculpas e passou a fazer coisas pra me agradar. Vi nisso uma oportunidade de conversar e esperei o marido sair, provei minhas roupas com calma e pedi a opinião dela sobre o que ela havia gostado ou não.

Ela mentiu que gostou do vestido que tinha chamado de horroroso. Foi minha deixa. Conversamos muito sobre a importância de sempre se dizer o que pensa, que ter opiniões diversas é normal e saudável, que vivemos em um mundo com montes de pessoas diferentes, culturas diferentes, que assim como a cor preferida dela é o roxo, a da amiga dela é o laranja e a minha é o azul. Que eu não fiquei triste porque ela não gostou do vestido que eu escolhi, que fiquei triste pela forma dela falar e de como existem maneiras de se dizer a mesma coisa sem ofender. Que um simples "mãe eu não gostei desse vestido" em um tom de voz educado teria feito com que eu respeitasse a opinião dela e que aos berros e com falta de educação ninguém consegue nada na vida.

Depois ela me perguntou se sempre que a gente faz alguma coisa errada "é obrigatório" pedir desculpas. Eu disse que eu acho bom pedir desculpas, que não cai um pedaço, que todo mundo erra, e às vezes erramos muito, mas o importante é conseguirmos perceber esses erros e pedir desculpas, mesmo que não em palavras. Ela me deu um exemplo prático, de alguém que a magoou e não pediu desculpas. Foi minha segunda deixa, pra mostrar como é ruim isso, de como ficamos tristes quando alguém nos magoa. E que não, nem sempre é preciso se pedir desculpas, que podemos fazer isso com as nossas atitudes, mostrando pro outro que sabemos que erramos e nos importamos em não magoá-lo de novo. E que também, pedir desculpas quando se sabe que errou não é ruim, que o que é feio é errar e fingir que não errou, não se arrepender.

Ganhei um abraço tão forte depois dessa conversa toda que durou mais de 30 minutos... que fiquei feliz de ter esse tempo pra me dedicar para as minhas filhas, como tenho feito ultimamente.

3 comentários:

Andrea Fregnani disse...

Nossa é mesmo difícil deixar a criança demostrar a individualidade e educar ao mesmo tempo, acredito que vc se ssiu muito bem, manter diálogo com os filhos é muito importante, parabéns!

Débora disse...

Parabéns pela forma de lidar com a filhota!!

Mônica Suñer disse...

Te entendo perfeitamente! Agora pensa: isso aí x3= minha vida!! É o dia todo assim, uma vez que não trabalho fora e que 2 estudam de manhã e a menor (5 anos) à tarde. Conversas, argumentações e discursos o dia todo, do todos os lados. Acha mesmo que dá pra ouvir alguém falar mãe depois das 10 da noite? Pobre do meu marido...rsrsrs. Bjs