segunda-feira, 7 de julho de 2008

Porque você precisa de foco nessa vida...

e eu acho que andava perdida do meu, querendo ser quem não sou. Em algum lugar desta minha cabeça doida eu achei que o que estava errado era esse meu jeito Poliana de ser, essa visão cor de rosa da vida, ser politicamente correta, solidária, educada, pensar duas, três, dez vezes antes de mandar alguém se fud@r (olha como eu falo palavrão! u-hu!!!), porque eu não fumo, não bebo, não cheiro. Não, eu nunca experimentei nenhum tipo de droga, nem maconha, simmmmmmmmmmmmm pra mim maconha é droga e eu tô bem fora de quaquer coisa que me tire o juízo, me faça fazer escolhas que possam me prejudicar depois.

Eu andei bem estressada, era coisa demais, obra, escritório, casa, escolhas que deveriam ser bem pensadas. Grana que se juntou real por real por anos, e que simplesmente sumia das nossas contas dia após dia. Eu andei mal pra caramba, adoeci, tive crises de asma, insônia crônica, odiava as pessoas, queria que o mundo me esquecesse, queria paz, precisava de silêncio, e fui, evidentemente, procurar ajuda, porque eu posso até ficar louca mas burra não né, e eu vim nesta vida pra ser feliz! Foco.

Um ano de terapia. Estou bem melhor, e acho que não tenho mais um problema real e concreto, me curei do mau humor crônico. Dá vontade de solidão, do me sentir atarefada demais, cansada demais. Descobri que me encher de coisas pra fazer não me ajudava. Ai passei a ir pra terapia e pensar, porque essa mulher não me dá alta? Devo estar bem mais louca do que consigo perceber. E fiquei procurando um problema, me tornei muito crítica comigo mesma.

Sei que pra mim é tudo 8 ou 80, oscilo entre esses polos, ou estou num ou em outro.

Mas então fiquei achando que eu era uma babaca, no outro dia me achava uma manipuladora, no outro uma egoísta, e a minha lista de defeitos só fez crescer e crescer. Parei de sorrir, de conversar, de ser simpática, me isolei e me fechei num mundo que não era o que eu gostava. Me policiava pra não conversar com as pessoas.

Quando me via na Natália então, queria morrer, como eu podia estar criando ela assim, tão educada, tão certinha, tão compreensiva. Porque diabos ela não faz birra? Não teima? Não fala palavrão? Não diz que me odeia quando eu não deixo ela comer doce antes do almoço? Porque ela diz para o pai, que não, ela não vai bater no menino que a bateu "porque bater é errado papai, eu vou contar pra profe pai e ela fala pra ele não me bater".

Tudo que eu acreditava ser certo ficou errado. Eu era uma fraude. Esse era meu problema.

Então eu fui fazer as unhas na sexta, no meu salão habitual, onde corto o cabelo, faço as unhas, faço luzes, tiro a sombrancelha, essas coisas. Onde muita gente me conhece. No meio de uma ligação que definia se eu poderia ir pra casa mais cedo ou precisaria voltar pro escritório, minha bateria do celular acaba, constato que esqueci o outro em casa. Nem tudo estava perdido já que neste salão devem ter mais de 30 funcionários, alguém deveria ter um carregador nokia compatível, sai perguntando, alguns se interessavam e não tinham, outros nem me olhavam direito, outros falavam que o fulano tinha, mas nem aí pro meu problema. Ninguém pra me ajudar. E o que me incomodou foi ver que praticamente ninguém realmente se interessou.

Sai de lá já pensando que meu restinho de tarde livre já era, quando já estava no prédio do lado, uma manicure novinha sai correndo do salão e me chama, não sei o nome dela, nem ela o meu, ela me alcançou o carregador e perguntou quando eu poderia trazê-lo de volta, já que ela só tinha aquele. Expliquei que só queria uns minutinhos numa tomada pra fazer uma ligação. Devolvi o carregador e na porta do salão dei de cara com uma loja de chocolates, mnha reação natural seria ir comprar um bombom pra ela como forma de agradecimento, já que ela poderia ter sido como a maioria das pessoas deste mundo, simplesmente não ter ligado, então pensei, não, que mania de ser sempre boazinha, agradável, gentil. Fiquei nesse conflito, que só entende quem faz terapia. Não comprei. Uma quadra depois vi um menino de uns 6 anos abrindo um picolé e jogando o papel no chão, imediatamente olhei para a mãe dele que não disse absolutamente NADA. Logo depois soube de uma criança que destruiu um móvel a marteladas.

Horas com as coisas martelando, não literalmente, claro, na cabeça. Me senti tão mal por não ter comprado o bombom...

Como eu pude pensar em ser diferente? Como eu pude pensar que era errado minha filha ser educada? Como alguém cogita simplesmente aceitar que este mundo é horrível, que as pessoas são más, que o Jornal Nacional é a realidade irrefutável do mundo, portanto acostume-se com os fatos.

Seja como a maioria, este é o certo!

Como eu pude cogitar só dar consulta para as pessoas que podem realmente me pagar, como dar as costas a uma mãe desesperada sem ter como alimentar seus filhos? Ela é uma vagabunda, não trabalha, dane-se, não é um problema meu! Como pensei que fazer parte deste mundo individualista me tornaria menos frustrada e impotente?

Tenho consciência de que me frustrarei muito, que pensar que o mundo pode ser cor de rosa decepciona pra caramba, porque a realidade está aí. As pessoas são más, diria alguém que eu conheço. Mas não, não é nisso que eu acredito, acho que estamos perdidos e que se nos dermos conta que mudando um pouquinho o nosso dia a dia, cada um de nós poderá viver melhor. Seja gentil, sorria pro seu vizinho hoje, isso pode ser um pequeno passo pra sermos mais felizes.

6 comentários:

Anônimo disse...

Nossa andrea nunca fiz comentário nenhum no seu blog, sempre li tudo desde o começo quando estava grávida da Naty sem deixar nenhum depoimento, mais esse não aguentei adorei e acho que temos que passar isso a diante pois só assim seremos felizes, concordo em tudo que vc disse, pra que ser grosso ou até mal educado,não tem necessidade podemos ser gentil e educado só temos a ganhar.
Lindas palavras que serão passadas a diante. PARABÈNS, com tudo isso que vc é, vc só tem a ganhar, amei.
Beijos carinhosos
Renata

Paula disse...

Oi Andrea, adorei este post. Também sou muito poliana e não tenho vergonha de assumir. O mundo pode não ser cor de rosa, mas o MEU mundo eu faço da cor que eu quero, né? Vou descobrir a referência da tinta azul e te falo. :)
Beijos

Andrea Nunes disse...

Renata, que bom que tu comentou! Uma leitora assim antiga :o) E não é que esse mundo anda cada vez mais esquisito?


Paula, a gente se perde as vezes porque todo mundo parece tão infeliz que a errada passamos a ser nós, como se fossemos uma fraude não é mesmo?
Adorei o azul, adorei teu blog e já está nos meu favoritos!

Anônimo disse...

Nossa Andrea... Parece que você leu meus pensamentos.... Tenho andado em crise, pensando que sou boazinha demais, compreensiva demais, gosto de fazer tudo, não gosto de ver ninguém triste ao meu lado, gosto de escutar, de ajudar, mas o mundo não está preparado para isso..... Pensei em mudar, não ser tão simpática, tão educada, não que eu seja uma santa, não é isso, tenho meus dias de mau humor, mas, na maioria das vezes estou sempre sorrindo.... Mas, quando tento ficar má, fico pior ainda... Já voltei a ser boa de novo.... Os pensamentos são muitos, é até difícil dizer em palavras o que ando sentindo.... Beijão!!!!!

Anônimo disse...

Sou eu a Lara

ana boanova disse...

gentiiii!!!!! amei seu blog!!!! eu tenho a mania de dar next blog, eis que cai aqui de para quedas no seu...que maximo....vou colocar nos favoritos....amei, parabens.......